Atual Trabalho/ Pesquisa


EM CARTAZ - A Companhia de Teatro Terra Brasilis encena o Espetáculo “Lenda das Yabás”, que trata a ancestralidade da cultural Afro, com texto de direção de Fábio S. Tavares 


O QUE: Espetáculo “Lenda das Yabás” 

QUANDO: Sábados e Domingos às 20: horas 

ONDE: Sala de Teatro do Centro Cultural Ensaio (Av. LeovigildoFilgueiras nº 58 Garcia) 

INGRESSOS: R$ 20, (int.) – R$ 10, (meia) – Classificação: 10 anos  

CONTATOS: 71- 3018-7122/ 3328-3628 –www.lendadasyabas.blogspot.com.br      




HISTÓRICO:



O Espetáculo Lenda das Yabás está em cartaz no Centro Cultural Ensaio (Garcia), aos Sábados e Domingos sempre as 20h.  com uma temporada longa, prevista para ficar 03 meses em cartaz para um público restrito a 50 pessoas por sessão. Com texto e direção de Fabio S. Tavares (Benedita, Fogueira, Escombros, Quadrilha) essa é a segunda montagem da Companhia de Teatro Terra Brasilis que em 2009 montou o espetáculo “Escombros” e passou os últimos 03 anos se dedicando a manutenção do Centro Cultural Ensaio, que é a cede do grupo em Salvador-Ba.  Foram dez meses de exercícios, labotórios, ensaios e discussões a cerca do tema escolhido pelo grupo para encenar. Processo iniciado em 09 de Março de 2012 que teve a sua estreia oficial em 10 de Março de 2013. Profissionais como Elaine Cardim, Jorge Santos, entre outros, contibuiram  para o processo de construção do texto que já tinha 11 anos de escrito, e que finalmente foi chegou ao publico em 21 de Outubro de 2012 em forma de Leitura Dramática dentro da grade de encerramento do IIIº FETA.   

O espetáculo que trata a ancestralidade da cultural Afro imbuído de questões sociais, políticas, culturais e religiosas realizou oito apresentações (entre 12 e 27) ao longo do mês de Janeiro como pré-estreia obtendo uma excelente receptividade da critica e do  publico que lotou o Centro Cultural Ensaio todos os dias, tendo ainda realizado duas apresentações extras incluindo apresentações em horário alternativo para colégios  Durante o mês de Fevereiro o grupo realizou apresentações nas Praças do Centro Histórico de Salvador (Projeto Espicha Verão e na Feijoada de Ogum de Ronda - Memorial das baianas de Acarajé) e uma apresentação extra.    


SINOPSE:


O espetáculo trás uma historia que se passa num passado e tempo indefinido e descrevendo a fúria de um Deus humano que age de acordo com suas emoções. Este Deus no caso é Olorum, que revoltado com a destruição e discórdias que os homens vêm causando a aiê (Terra), resolve infertilizar todas as mulheres (as Yabás) para extinguir a raça humana e prender a chuva para que a Terra fique seca- isso é representado pelos galhos secos e tom pastel que compõem o cenário dando aspereza a encenação - pois a natureza retrata é a presença concreta do Deus abstrato.

Nanã, que é a mais antiga dos orixás, surge no texto como uma grande ialorixa e sacerdotisa que conduz os festejos, impostos por Exu, em agradecimento por este ter conseguido chegar a olorum desvendando os segredos para que o Deus maior devolvesse a paz a Terra. O espetáculo traz os Orixás em forma humana e enfatiza que todo ser vivo, por possuir uma parcela divina, é capaz de se conectar com Deus com bases na energia e ações emitidas a outro ser e por isso Exu conseguiu chegar a Olorum e descobrir os segredos para trazer a concórdia a Terra. O mesmo Exu que trará a paz também conduz a ciumenta Oxum, causando intrigas e discórdias entre as demais Yabás, utilizando da obsessão que mesma sente pelo amor de Xangô, que por sua vez vive com suas quatro mulheres no palácio onde se passa toda a historia.     Cada uma das Yabás com seus signos traz em si a representatividade da essência e força feminina que ganham destaque na encenação que tem um misto de religiosidade popular e sensualidade profana. Yansã representa a figura da mulher contemporânea e independente, que segue sua intuição e vontade sem se curvar aos caprichos ou preconceitos de uma sociedade (e por isso é a preferida de Xangô).

Obá representa a evolução feminina em busca da igualdade, sua personalidade vai da típica dona de casa que se esmera ao máximo para agradar seu marido - sendo vítima de diversas injustiças - até a descoberta da força que muitas mulheres trazem dentro de si e desconhecem. A grande lição de Oba vem quando ela dá um basta na situação que vive e com isso se torna uma grande guerreira. A menina yewá, representa o romantismo e inocência feminina.

Demonstra sua força na revolta pela desilusão amorosa que sofre após cair numa das muitas armadilhas criadas por Exu. Ela é salva da fúria de Yansã por Oxossi que a leva para a mata e lá descobre essa força e volta para se vingar de Xangô que tentou seduzi-la. Oxum, sempre orientada por Exu, ao longo da história se utiliza da sua beleza para seduzir e orquestrar situações com o intuito de afastar as outras mulheres de Xangô, até que Oxalá vem ao reino para selar a paz e transformar os homens em orixás.     



EXPOSIÇÃO BAHIA MINHA PRETA, WORKSHOP CRU - CRENÇA, RAIZ E UNIVERSALIDADE


   Dentro do processo de construção do espetáculo foram despertadas outras possibilidades e o projeto ganhou o nome de Olubajé (que no candomblé é um ritual especifico para o orixá Obaluayê, que tem o significado de prolongar a vida e trazer saúde aos participantes) que integra uma série de Workshops intitulada de “CRU” que é uma sigla para Crença (um debate), Raiz (uma Oficina) e Universalidade (um bate papo entre lideres de diversas religiões que será aberto ao publico) além da Exposição “Bahia Minha Preta” que reúne obras – entre quadros, turbantes, esculturas artesanais e exibição de fotos e filmes – que objetiva homenagear acultura Afra da Bahia e suas raízes trazendo objetos de personalidades baianas a exemplos dos turbantes de Negra Jhô além de quadros sobre o processo de ensaios e laboratórios do espetáculo. A Exposição, que acompanha o espetáculo, serve como uma ambientalização para o publico desde a entrada já se sinta dentro de um clima que encontrara sua depuração na encenação Lenda das Yabás. 



SOBRE A ENCENAÇÃO


Independente e a cima de discussões acerca de raça ou religião, o Texto “Lenda das Yabás” traz à tona a história da ancestralidade da cultura afro-brasileira, bebendo da sua fonte  mais pura ao se utilizar das lendas de quatro Yabás (orixás femininas):Yansã, Obá, Ewá, e Oxum. Entrelaçando os contos dessas divindades, o elenco da CTTB estimula o público a conhecer uma história intensa oferecendo diálogos diretos criados com o intuito de humanizar as personagens centrais e visando captar a atenção absoluta do espectador quase transpondo-os para a encenação.    O Texto, que tem uma construção narrativa cenários e figurinos artesanais, conta a lenda das Yabás passando ainda por outros Orixás como Yemanjá, Exu, Xangô, Ogun, Omolu e Oxalá, os quais  têm sub-contos dramatizados com a intenção de levar ao público um conhecimento sobre as lendas desses orixás sem desrespeitar o conceito de cada um deles. A musicalidade está presente na encenação com atabaques que pontualmente dão o clima e vestem as cenas com a leveza ou peso necessários para a construção cênica.

Todo o som produzido ao vivo pelo elenco vem em função da expressão dramática e não se sobrepõe a ela.   Com esses elementos o, também produtor, Fábio S. Tavares, projetou um espetáculo que reitera o papel do ator no processo criativo - isso pôde ser conferido com os pequenos vídeos que foram lançados semanalmente em redes sociais, com imagens do processo de criação ao longo dos 10 meses de ensaios - enfatizando, sobretudo, o corpo e o leque de expressões possíveis em que ele se realiza na cena: da dança à pantomima.




Nessa montagem, percebemos que as personagens da trama nascem do natural e não do realismo (numa interpretação tipicamente stanislavskiana), buscando também uma técnica que envolve o ator na sua totalidade: mente, corpo, gesto, palavra, espírito, matéria, interno, externo (tendo inspiração na obra do teórico Grotowski). Elas são, no entanto, espelhos do real, mas distorcidos pelo manejar poético do ator e da pulsão do seu gestual no espaço. Nesse embalo foram fundidos diversos elementos da dança contemporânea com o naturalismo da interpretação, sem perder, no entanto, a dinâmica cênica que o texto reclama.




FICHA TÉCNICA:



Concepção, Texto, Direção artística, Figurinos e Cenografia: Fábio S. Tavares

Assistentes de direção: Rafael Manga e Lucianno Monteiro  

Pesquisa e Encenação: Companhia de Teatro Terra Brasilis

Elenco: Aline Barbosa, Agnaldo Meu Rey, Cassius Fabian, Lyu Arison, Lucianno Monteiro, Lilian Menezes, Marcello Teixeira, Marisa Andrade, Natalyne Santos, Rita Santiago, Saulo Santos, Vinicius Sena 

Elenco de Apoio: Alan Luiz 

Diretor Musical: Edson Eder

Músicos/ Atores: Mariana Gavim, Mafá Santos, Edson Eder, Fabio Souza    

Preparação Corporal e Coreografias: Lyu Arison e Fábio S.Tavares

Preparação Vocal: Ivan Santos            
                                                             
Técnico de Luz: Victor Hugo     
          
 Consultoria: Rebeca Souza

Direção de Produção: Fábio S. Tavares

Realização, Produção e Comunicação: Centro Cultural Ensaio

Núcleo de Produção: Maiara Almeida, Lilian Menezes, Rafael Manga e Lucianno Monteiro 

Programação Visual: Rafael Manga e Fabio S. Tavares 

Vídeos de divulgação: Núcleo de Comunicação do Centro Cultural Ensaio

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